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1 em cada 4 pessoas no mundo não tem acesso à água potável

Comunidades rurais, mulheres e crianças são as mais afetadas pela falta de água segura, aponta novo relatório da ONU

beber água
Foto: Engin Akyurt | Unsplash

Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos é o Objetivo 6 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) a serem garantidos até 2030. A meta, no entanto, está longe de ser alcançada. Cerca de 2,1 bilhões de pessoas, o equivalente a um em cada quatro habitantes do planeta, ainda não têm acesso à água potável em condições seguras, segundo a ONU.

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O novo relatório “Progresso em Água Potável e Saneamento Doméstico 2000-2024: foco especial nas desigualdades” foi lançado pela OMS e UNICEF, no contexto da 35ª reunião da Semana Mundial da Água, que acontece em Estocolmo até o próximo dia 28 de agosto. O documento reforça a desigualdade no acesso à água: os que vivem em países de baixa renda, contextos frágeis, comunidades rurais, crianças e grupos étnicos minoritários e indígenas enfrentam as maiores disparidades em relação à água, saneamento e higiene.

No relatório, as agências de saúde e infância da ONU apontam que, embora tenha havido algum progresso na última década, o avanço se dá em ritmo lento, de forma que a promessa de atingir a cobertura universal, uma das metas de desenvolvimento sustentável da ONU, está cada vez mais fora de alcance. Confira abaixo os principais dados do estudo:

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água
Foto: Daria Kraplak | Unsplash

Acesso à água potável

  • Apesar dos ganhos desde 2015, 1 em cada 4 — ou 2,1 bilhões de pessoas no mundo todo — ainda não tem acesso à água potável gerenciada com segurança*
  • Destes acima, 106 milhões bebem diretamente de fontes superficiais não tratadas.
  • Em contextos frágeis (zonas de conflito ou instabilidade), a cobertura de água potável gerenciada com segurança é 38 pontos percentuais menor do que em outras regiões.
  • Na zona rural, a cobertura de água potável gerenciada com segurança aumentou de 50% para 60% entre 2015 e 2024
lei água filtrada
Foto: Rawpixel.com | PxHere

Saneamento básico

  • 3,4 bilhões de pessoas ainda não têm saneamento básico seguro
  • Destes acima, 354 milhões praticam defecação a céu aberto, expondo-se a riscos sanitários graves.
  • Em países menos desenvolvidos, a população tem mais que o dobro de chance de não ter acesso a saneamento básico em comparação com países mais desenvolvidos.

Higiene e saúde

  • 1,7 bilhão de pessoas ainda não têm serviços básicos de higiene em casa.
  • Dentre elas, incluindo 611 milhões sem acesso a nenhuma instalação.
  • A cobertura de higiene básica nas zonas rurais subiu de 52% (2015) para 71% (2024), mas áreas urbanas estagnaram.
  • Pessoas em países menos desenvolvidos têm mais que o triplo de probabilidade de não terem acesso à higiene básica.
Calculadora de água
Foto: Pxhere

Mulheres, meninas e desigualdade

  • Dados de 70 países mostram que, embora a maioria das mulheres e adolescentes tenham materiais menstruais e um local privado para se trocar, muitas não têm materiais suficientes para trocar com a frequência necessária.
  • Meninas adolescentes de 15 a 19 anos têm menos probabilidade do que mulheres adultas de participar de atividades durante a menstruação, como escola, trabalho e passatempos sociais.
  • Na maioria dos países com dados disponíveis, mulheres e meninas são as principais responsáveis ​​pela coleta de água, com muitas na África Subsaariana e na Ásia Central e Meridional gastando mais de 30 minutos por dia coletando água.
Meninas com latas de agua na cabeça, acesso à água potável
Foto: © UNICEF | Frank Dejongh

Água não é privilégio, é direito

O acesso à água potável é reconhecido como um direito humano fundamental.
Trata-se de um recurso básico para a sobrevivência humana, sem o qual não se garante o desenvolvimento socioeconômico e o avanço do bem-estar em geral.

“Água, saneamento e higiene não são privilégios, são direitos humanos básicos”, afirmou o Dr. Ruediger Krech, Diretor Adjunto de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da Organização Mundial da Saúde. “Precisamos acelerar as ações, especialmente em prol das comunidades mais marginalizadas, se quisermos cumprir nossa promessa de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

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Apesar da própria ONU reconhecer que a “água contaminada, saneamento inadequado e práticas precárias de higiene ainda estão minando os esforços para acabar com a pobreza extrema e controlar surtos de doenças nos países mais pobres do mundo”, não nivelar por baixo o que é privilégio é importante para a agenda avançar.

Outro ponto diz respeito ao impacto da falta de água na saúde e educação, sobretudo de meninas. “Quando as crianças não têm acesso a água potável, saneamento e higiene, sua saúde, educação e futuro ficam em risco”, disse Cecilia Scharp, Diretora de WASH do UNICEF. “Essas desigualdades são especialmente graves para as meninas, que muitas vezes carregam o fardo da coleta de água e enfrentam barreiras adicionais durante a menstruação. No ritmo atual, a promessa de água potável e saneamento para todas as crianças está cada vez mais distante – o que nos lembra que precisamos agir com mais rapidez e ousadia para alcançar aqueles que mais precisam”, conclui.

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